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sábado, 18 de maio de 2013

NOTÍCIA DO ORLA


Microorganismos vivos foram encontrados abaixo do leito oceânico

Microrganismos foram encontrados vivendo nas profundezas da crosta no fundo do mar.

Por Ed Yong e revista Nature

Pela primeira vez, cientistas descobriram microrganismos vivendo nas profundezas da crosta oceânica da Terra – a escura rocha vulcânica no fundo do mar. Essa crosta tem vários quilômetros de espessura e cobre 60% da superfície do planeta, o que a torna o maior habitat da Terra.

Os microrganismos dentro dela parecem sobreviver principalmente usando hidrogênio, liberado por ação das rochas ricas em ferro sobre as moléculas de água, para converter dióxido de carbono em matéria orgânica.

Esse processo, conhecido como quimiossíntese, é diferente da fotossíntese, que usa a luz do Sol para o mesmo propósito.

A quimiossíntese também alimenta a vida em outras localizações no fundo do mar, como fendas hidrotermais, mas essas ficam restritas aos limites de placas continentais.

A crosta oceânica é muito maior. Se microrganismos semelhantes forem encontrados nela, a crosta “seria o primeiro grande ecossistema da Terra a funcionar com energia química em vez de luz solar”, observa Mark Lever, ecólogo da Universidade Aarhus, na Dinamarca, que conduziu o estudo. Os resultados foram publicados na Science.

“Esse estudo é altamente significativo porque confirma a existência de uma biosfera povoada por microorganismos anaeróbicos”, declara Kurt Konhauser, geomicrobiólogo da University of Alberta em Edmonton, no Canadá.


A crosta oceânica é formada em cristas entre placas tectônicas, onde a lava encontra a água do mar e se resfria. A rocha recém-nascida – basalto, na maior parte – é empurrada para longe das cristas e fica enterrada sob um sedimento espesso. Cientistas sabiam que microrganismos vivem nesse sedimento e em basalto exposto, mas as partes mais profundas da crosta eram um mistério. “Até nosso estudo, não estava claro se havia vida lá embaixo”, aponta Lever.

Sob o mar

Em 2004, Lever navegou a bordo do barco de pesquisa norte-americano JOIDES Resolution para coletar amostras de uma das mais bem estudadas regiões da crosta oceânica, a oeste do estado de Washington. A embarcação normalmente carrega uma equipe de geólogos, mas dessa vez “nós tínhamos cinco microbiólogos a bordo”, conta Lever.

A equipe, que incluía cientistas de seis países diferentes, perfurou 265 metros de sedimento e 300 metros de crosta para coletar basalto que se formou há cerca de 3,5 milhões de anos. Dentro de suas amostras, os pesquisadores encontraram genes para microrganismos que metabolizam compostos de enxofre e alguns que produzem metano.

Para verificar se os genes vinham de microrganismos vivos ou mortos, a equipe aqueceu as amostras de rocha a 65º C em água rica em compostos químicos encontrados no leito marítimo. Após algum tempo produziu-se metano, mostrando que os microrganismos estavam vivendo e crescendo.

Lever está convencido de que os microrganismos não pegaram carona da superfície, mas que são moradores genuínos da crosta. “Quando entrei nessa expedição, achei que seria impossível obter amostras livres de contaminação”, confessa ele.

Ele mudou de ideia após abrir as amostras: a equipe tinha adicionado pequenas quantidades de marcadores químicos ao fluído que usaram para perfurar as amostras, mas apesar de esses químicos ensoparem o exterior das rochas, não havia quase nada dentro delas. Lever agora pretende analisar fragmentos de rocha coletados de outros locais do Oceano Pacífico e do Atlântico Norte.

“Dado o grande volume de crosta sub-marítima, não consigo parar de imaginar como a quantidade de biomassa vivendo lá se compara à da superfície da Terra”, conclui Konhauser.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 14 de março de 2013.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um pouco sobre catadores


 Por: Patrício Garcia
Voluntário do Orla Viva - MA
Graduando no curso de Ciências Biológicas-UFMA
Bolsista do Programa Jovens Talentos para a Ciência
Estagiário do laboratório de Herpetologia

Os manguezais são ecossistemas costeiros, de transição entre o ambiente marinho e o terrestre, encontrando-se, principalmente, em regiões de clima tropical e subtropical e em ambientes com altas inundações periódicas das marés.  Por estarem próximos às áreas de maré, uma de suas principais características é a alta concentração de sal em seu solo, o que permitirá a sobrevivência somente de plantas halófitas, ou seja, aquelas que possuem mecanismos adaptativos para sobreviver à alta salinidade. O solo dessas áreas também possui uma grande quantidade de matéria orgânica, que serve de alimento para uma grande gama de organismos, fazendo do manguezal um complexo ecossistema habitado pelos mais diversos tipos de animais, tais como várias espécies de peixes e de caranguejos, sendo este um dos mais importantes por constituir a base da cadeia alimentar de muitos outros animais e por oxigenarem o solo (o solo do manguezal possui uma grande deficiência na concentração de oxigênio), durante a contração de suas tocas.

Uma provável degradação do ecossistema manguezal e, portanto, a consequente morte de populações de caranguejos levará a um declínio forte de muitas atividades humanas, pois muitas pessoas que habitam locais próximas a estas áreas fazem da pesca e da coleta de caranguejos sua única fonte de renda  para garantir a sua sobrevivência.
Muitos estados brasileiros costeiros possuem uma intensa atividade pesqueira advinda dessas regiões de manguezal, dentre eles podemos destacar o Maranhão, que possui a maior cobertura de manguezais na costa brasileira, correspondendo a estonteantes 49% do total do país. Isso se deve ao seu litoral recortado, isto é, por ele possuir várias reentrâncias ao longo de sua costa.
Podemos encontrar várias comunidades de catadores na Ilha de São Luís, podendo destacar a cidade da Raposa, que faz da pesca e da coleta sua principalatividade econômica, e de bairros da cidade de São Luís que se encontram próximos ao mar, como aqueles da área Itaqui-Bacanga. Os catadores de caranguejos fazem sua renda vendendo o que coletam a bares e restaurantes do litoral, ou mesmo vendendo em beira de estrada ou em feiras populares. Seus métodos de coleta são bem rústicos, consistindo na entrada no manguezal, que quase sempre é cortado por pequenos canais, em uma pequena canoa a remo e, já na lama, podem fazer a coleta a partir de redes especiais para tal função, ou pelo método mais simples que é a “pegada manual” dos crustáceos e colocando-os em cestas preparadas com palha.

Há períodos do ano em que a coleta de caranguejos se torna proibida, que é durante o seu período reprodutivo, denominado andada, que ocorre entre dezembro e fevereiro. Esse período é fundamental para os catadores, pois dele dependem para que ocorra a reposição das populações de caranguejos. Por isso, durante esses períodos, os catadores tradicionais nunca recolhem os caranguejos vagantes. Devido aos longos períodos de realização de suas atividades, os catadores são pessoas que respeitam o ciclo de vida dos animais habitantes de manguezais e possuem conhecimento sobre várias espécies de caranguejos e o ambiente em que vivem que pode chegar a superar o de profissionais formados.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Biorremediação: Limpeza Pura


 Por: Rodrigo Pimenta
Voluntário do Orla Viva - MA
Graduando no curso de Ciências Biológicas-UFMA


  As algas são organismos autótrofos/fotossintetizantes que se diferem das plantas por não formarem tecidos ou órgãos ordenados, ou seja, são desprovidos de caule, raízes, folhas, flores e frutos. São seres avasculares, não possuindo mecanismos específicos de transporte e circulação de fluidos como ocorrem em plantas mais evoluídas. Podem ser uni ou pluricelulares, reunindo desde formas microscópicas até organismos de grande porte que lembram plantas.

                KELP (Phaeophyceae)                 
                                                                      
    Esses organismos atuam nos processos de concentração de diversas substâncias por captação metabólica, transformação, armazenamento e liberação, sendo que o balanço entre seus processos primordiais (fotossíntese e respiração) é responsável pelo equilíbrio em ambientes aquáticos. Por esses motivos também podem ser considerados como bons indicadores ambientais.
    Atualmente estudos estão sendo feitos utilizando-se o cultivo de algas para o tratamento de águas residuais de processos industriais, limpeza de efluentes, remoção de compostos tóxicos e de metais pesados. Essas técnicas referem-se à Biorremediação, processo de estabilização e degradação dos materiais poluentes por meio do metabolismo de organismos vivos.

                           Cultivo de micro algas                        
    Os habitats aquáticos constantemente são agredidos pela ação do homem, causando desastres ambientais como a liberação de petróleo no mar, esgotos despejados em locais inapropriados e contaminação de lençóis freáticos. Pois todos esses acidentes podem ter seus danos reduzidos graças às técnicas de biorremediação.
    O tratamento utilizado é o In-Situ, realizado no próprio local, através da bioaumentação e bioestimulação. A bioaumentação consiste na introdução de organismos naturais (microalgas) em um ambiente onde elas não estejam  presentes para a incrementação da degradação dos compostos poluentes, melhorando a qualidade da água. Claro que a introdução desses organismos em ambientes diferentes só é feita após um extenso estudo sobre a área. A bioestimulação é a técnica mais utilizada e se vale da utilização da macro e microbiota já existente, que passa a ter o seu crescimento estimulado pela adição de nutrientes na área. Com o aumento desses organismos, crescem também as taxas de biodegradação.   
              
Microalgas (Chlorophyta)
                
    Os estudos envolvendo biorremediação chamam a atenção para seu potencial nos processos de limpeza “pura” e sem maiores danos ao ambiente. O seu uso, além de menos dispendioso, procura recuperar áreas contaminadas com os recursos encontrados no próprio meio, com a microbiota ao redor. As algas, que já acumulam compostos naturalmente, ao serem estimuladas, promovem uma rápida recuperação de habitats agredidos e os subprodutos resultantes d processo, na maioria dos casos, podem ser eliminados com facilidade.