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A Associação Ambiental ORLA VIVA-MA é continuidade do Projeto de Educação para Conservação Ambiental Orla Viva, iniciativa dos Professores José Maria dos Reis Maia Filho (SEDUC-MA) e Maurício Araújo Mendonça...

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Luau do Orla: os bastidores

No dia 30 de dezembro de 2011 aconteceu o primeiro Luau do Orla, organizado e idealizado pelos voluntários da ONG a fim de arrecarmos fundos para o Orla e, de quebra, celebrarmos a formação de um grupo sólido de pessoas dispostas a trabalharem em prol do Orla Viva. A festa - que será melhor comentada no próximo post - só foi possível por que esse voluntariado trabalhou duro, se reunindo desde outubro para que a ideia saísse do papel.


Os voluntários preparam o aviso da festa que ficaria na porta do Orla; Rafael é pego desprevinido pela câmera.



Organização da mesa da comida e o esforço para colocar o banheiro químico no lugar certo.


No dia da festa, o trabalho foi ainda maior para que tudo saísse nos conformes. Ainda que uma festa simples, nosso Luau tinha o objetivo de confraternização - já era 30 de dezembro, e talvez fosse a última vez que aquelas pessoas ali reunidas estariam se vendo antes do ano novo. Desde o cardápio até a posição das mesas, tudo foi debatido intensamente por todos os voluntários antes de ser aprovado. 



André verifica a posição das mesas; os voluntários discutem detalhes da organização da festa.

No fim das contas, podemos afirmar que todo nosso esforço valeu a pena. Durante a festa, um grande número de voluntários permitiu que nada saísse do controle e que sempre houvesse alguém à disposição do Orla para resolver qualquer conflito - ou até mesmo para tirar fotos. Dos voluntários, uma certa surpresa de eles mesmo estarem podendo curtir muito a festa que organizaram - o que raramente acontece no meio de organização de eventos. Dos convidados, uma cara de satisfação que nos faz ter certeza de que, pelo menos em algum ponto, cumprimos nossa missão com o Luau do Orla.

Feliz ano que já começou; para 2012, o Orla Viva já tem seus planos sendo formados, e tudo graças a esse voluntariado que, mesmo com pouco tempo reunido, já está mostrando serviço.



Por: Clarisse Figueiredo
Aluna do 5º período de Biologia da Universidade Federal do Maranhão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Orla Viva no Congresso de Zoologia


Por: Lucas Martins
(Aluno do 4º período de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Maranhão e Voluntário do Orla Viva - MA)

Há cerca de 4 meses atrás, quando surgiu a ideia da organização de um grupo de voluntários para contribuir com a ONG Orla Viva, três objetivos iniciais foram traçados: O primeiro era de que este seria um trabalho voluntário que visava não somente uma contribuição nossa para a ONG, mas também uma enorme contribuição da ONG para os voluntários por meio do imenso aprendizado e experiência que iríamos adquirir. O segundo era reunir pessoas interessadas, engajadas e dispostas a ajudar o Orla Viva, mas, acima de tudo, reunir um grupo coeso e firme que soubesse trabalhar em conjunto. O terceiro e último objetivo era a divulgação do Orla Viva. Divulgação por meio, principalmente, da criação de projetos, da aprovação de resumos, de publicações...enfim, movimentar a ONG no meio científico.

Algumas semanas atrás, estávamos felizes pois havíamos conseguido cumprir dois de nossos objetivos (objetivos estes, que continuam e continuarão sendo cumpridos a cada visita nossa, a cada conhecimento novo que adquirimos, a cada contato com o Orla). Mas, nesta semana, tivemos uma notícia que nos fez sentir ainda mais realizados com o trabalho que tem sido feito por todos nós.

O resumo enviado ao Congresso de Zoologia que ocorrerá no mês de março do ano que vem, em Salvador, com o título: “REVISITANDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ONG ORLA VIVA E O ENSINO DE ZOOLOGIA NAS ESCOLAS” foi aprovado. Este é o primeiro passo, o primeiro movimento dado pelo nosso grupo de voluntários no sentido de geração e divulgação de conhecimento científico. O objetivo agora é aumentar cada vez mais essa movimentação, para assim construirmos um Orla Viva cada vez maior e melhor.

Essa conquista inicial é de todos os voluntários, parabéns! Que seja o primeiro de muitos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um Problema Ácido


Por: Rafael Antonio Brandão 
(Aluno do 6º período da Universidade Federal do Maranhão e Voluntário da Orla Viva - MA)

Pode o acúmulo de gás carbônico na atmosfera afetar os, por vezes, estáveis ambientes oceânicos? A resposta para essa simples pergunta é sim. A reação química causada pelo excesso de dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera e a água oceânica (H2O) forma um composto conhecido como ácido carbônico (H2CO3). Devido à fraqueza das ligações, esse ácido logo se desmembra: primeiro em Íon bicarbonato (HCO3 - ) + Íon hidrogênio (H+); depois em Íon carbonato (CO3-2)) + Íon hidrogênio. O acúmulo de Íons H+ na água causa uma queda no que os cientistas chamam de potencial Hidrogeniônico (mais conhecido como pH). Uma queda no pH indica uma maior acidez do meio, e é exatamente ai que está o grande problema com o aumento de CO2 na atmosfera.


(Esquema representando a dinâmica do aumento da acidez nos oceanos. Fonte: BBC)

Conforme aumenta a acidez oceânica, corais, mariscos e mexilhões passam a ter dificuldade de se desenvolver, além de terem seu funcionamento corporal e interomperem a atividade mais importante para a sobrevivência: o sexo. Em laboratório cientistas fizeram experimentos com o ouriço-do-mar Heliocidaris erythrogramma reduzindo em 0,4 o pH da água. Os resultados foram um tanto quanto perturbadores: nessas condições de acidez, os espermatozóides do ouriço moveram-se 16% menos, além de terem uma redução de 12% na velocidade. No fim das contas a queda no sucesso da fecundação foi de 25%. Em um oceano turbulento isso resultaria em uma redução do sucesso reprodutivo que não pode ser mensurada. Testes feitos na universidade de Kyoto, no Japão, indicaram que uma concentração de CO2 igual a 200 ppm causaria uma redução no tamanho de indivíduos de duas espécies de ouriço, Hemicentrotus pulcherrimus e Echinometra mathaei, além de influir no crescimento de conchas do gastrópode Strombus luhuanu.

Graças à absorção de dióxido de carbono pelos oceanos, os efeitos climáticos causados pelo acúmulo do gás são mitigados. Com uma taxa de assimilação de 30 milhões de toneladas de gás por dia os mares já absorveram cerca de 30% de todo o CO2 emitido pelo homem desde a revolução industrial. Porém, toda essa eficácia tem seu preço. Estudos da University of South Florida mostram que nos últimos 15 anos a acidez marinha aumentou em torno de 6% nos 100 primeiros metros das camadas superiores dos oceanos. Há um bom tempo a vida marinha não passava por mudanças tão bruscas. Evidências paleontológicas indicam que alterações dessa magnitude sempre estiveram ligadas a extermínios da vida subaquática. Quedas de 0,12 unidades no pH são aparentemente irrelevantes mas levando em conta que a escala dessa unidade é logarítmica, a variação representa um aumento de 30% na acidez.

Como se sabe, os oceanos são divididos em camadas, cada uma com uma salinidade e temperatura específica. Logo na primeira, encontra-se o fitoplâncton, a base da rede trófica dos oceanos. Os ventos promovem a movimentação do oxigênio e dos nutrientes entre as camadas, mas não só os ventos movimentam os alimentos; os animais também participam dessa distribuição. Pequenos crustáceos – os copépodes - fazem migrações verticais, para a superfície, todos os dias, a fim de se abundar com o fitoplâncton da camada superior. Com essas migrações os copépodes atravessam vários gradientes de pH, e o aumento de íons H+ põe em xeque essa rotina de viagens. Existem vários mecanismos para regulação da quantidade interna de íons: produção de íons negativos; bombeamento de íons para dentro e para fora; e redução do metabolismo com o intuito de reduzir a absorção de H+. Porém, todos eles são usados de forma temporária (quando se atravessa uma camada muito ionizada), caso requeridos por longos períodos podem levar a prejuízos das funções básicas, como a síntese de proteínas, o que pode significar o fim desses animais. Por serem a principal fonte de alimento para peixes de importância comercial, o extermínio dos copépodes põe em risco a vida de seus consumidores diretos e a nossa também.

Se as emissões de gases continuarem como as de hoje, o CO2 atmosférico chegará à incrível marca de 800 ppm até 2100 (atualmente é de 390 ppm). O pH cairá para 7,8 ou 7,7 ( 8,1 hoje), ou seja, um aumento de 150% desde os tempos pré-revolução industrial. Pedidos de cientistas para a redução na emissão de dióxido de carbono na atmosfera não são novidade para ninguém e, se esse quadro continuar assim, muitas coisas mudarão nos oceanos. É preciso buscar novas fontes de energia, a fim de reduzir a quantidade de gases de efeito estufa despejados na atmosfera. Necessita-se também de incentivo a pesquisas, no sentido de melhorar o conhecimento dos ambientes marinhos. Deve-se agir.

E você, vai ficar aí olhando?

Fonte: HARDT, M. J. & SAFINA, C. Oceanos Ameaçados de Dentro para Fora. Scientifc American Brasil, nº100, pág: 64 – 71. Setembro de 2010