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quinta-feira, 18 de outubro de 2012


Nos menores frascos, vêm os melhores conteúdos

                                 Por: Leonardo Feitosa
Voluntário do Orla Viva - MA
Graduando no curso de Ciências Biológicas-UFMA


            A beleza dos recifes de corais é realmente singular. Nenhum outro ecossistema no planeta é capaz de ter tanta variedade de espécies e de filos em relação ao espaço ocupado. Nem mesmo a Floresta Amazônica, também conhecida por sua grande biodiversidade, supera os recifes de coral. O maior recife do mundo localiza-se na Austrália, com aproximadamente 1200 km de extensão. Conhecido como A Grande Barreira de Corais, ele é considerado a maior estrutura de organismos vivos que existe no mundo. 

A Grande Barreira de Corais é o maior recife de corais do mundo.


            Os corais não são algas, como muitas pessoas acham. Corais são colônias de animais, mais precisamente  cnidários da classe Anthozoa, que, em sua grande maioria, vivem em simbiose com seres microscópicos fotossintetizantes - zooxantelas. Estes se alojam em pequenas cavidades existentes no corpo dos corais e realizam fotossíntese. Assim, parte de sua produção autotrófica é absorvida pelos corais, além de obterem proteção contra os raios UV através dos pigmentos das zooxantelas. Do lado das microalgas simbiontes, elas são beneficiadas pelo abrigo que os corais proporcionam e a alta disponibilidade de nutrientes provenientes da excreção dos corais. Esses seres minúsculos são os principais responsáveis pela saúde desse ecossistema. Algumas espécies de corais como o Coral-Bolha (Plerogyra sp.) podem ser heterotróficas, se alimentando de plâncton ou matéria orgânica dissolvida.

            O interessante dos corais é como eles surgem. Durante o ciclo de vida dos cnidários, muitas espécies apresentam duas formas: a medusóide (vida livre) e a polipóide (séssil). Quando colônias de formas polipóides se alojam em um mesmo local, cada pólipo começa a secretar um fino esqueleto calcário próprio, mas que está conectado com os outros indivíduos da colônia. Com o passar do tempo, esses esqueletos vão crescendo e os corais aumentando. Assim, eles colonizam ambientes antes inabitados e atraem animais maiores como peixes ósseos, tubarões, raias e mamíferos marinhos constituindo um ecossistema rico e diversificado.

  Mas, infelizmente, nem tudo está lindo e saudável. Pesquisadores da Universidade de Queensland realizaram um monitoramento durante 27 anos na Grande Barreira de Corais e descobriram que, no decorrer desse tempo, a barreira perdeu metade de sua cobertura de corais. Isso corresponde a 50 mil km² de corais! A causa principal apontada pelos cientistas é a grande quantidade de tempestades que têm assolado a região nos últimos anos. A superpopulação da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos e o branqueamento dos corais representam os outros motivos para tal declínio.

            Esse quadro não se restringe apenas a esse recife de corais. Muitos recifes mundo afora estão em processo de degradação, principalmente pelo branqueamento dos corais. Mas, como funciona isso? Bom, é até que simples de entender. Pelo fato dos corais viverem em simbiose com as zooxantelas, eles precisam de características ambientais estáveis para se manterem saudáveis. O processo de aquecimento global é apontado como a principal causa pelas mortes de recifes de coral por todo o planeta, pois ele mata as microalgas e, consequentemente, os pólipos que constituem os corais. Assim, todo o ecossistema entra em colapso. 





        Medidas como as existentes em regiões do Caribe e do Pacífico estão surtindo efeito rápido. O “cultivo” de corais é um sucesso. Comunidades inteiras de corais estão sendo cultivadas em locais chamados de “fazendas de corais” e os resultados são animadores. Depois de saudáveis, eles são reintroduzidos aos recifes e espera-se que voltem a tornar o ecossistema saudável.

Exemplo de uma fazenda de corais.

           Temos a tendência de pensar no ambiente marinho como um lugar estável, forte e à prova de danos causados pelos homens. Justamente pelo fato de ser um ecossistema tão dependente de espécies extremamente adaptadas a certas características, é que os recifes de coral se tornam ambientes frágeis. Se quisermos manter o funcionamento da indústria pesqueira que tantos países são dependentes, precisamos manter os recifes saudáveis. Mas, mais importante do que o fator econômico, a saúde do planeta depende desses pequenos seres.

2 comentários:

  1. Patrício falando.
    Bom texto, Leonardo. Senti falta de uma abordagem bacana como essa na aula de Cnidários de Zoologia dos Invertebrados.

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  2. Tava falando nessa semana que todos os biólogos deveriam conhecer pelo menos três coisas na vida: a Floresta Amazônica, a Floresta de Madagascar e os recifes de corais da Austrália. Uma pena todos eles terem sofrido e ainda sofrerem as mazelas da ação humana. Ainda bem que existem pessoas que trabalham em prol da natureza e que têm ótimas iniciativas como as "fazendas de corais". Tomemos isso como exemplo para as nossas ações.

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